O Papa Leão XIV, primeiro Papa norte-americano da história, com 16 meses de papado, entrou em choque direto com o presidente dos EUA, Donald Trump, ontem 28/09.
O que aconteceu?
Durante a coletiva de imprensa no avião de volta a Roma, após uma visita de 4 dias à França, o Papa foi perguntado sobre o que EUA e China deveriam fazer para evitar riscos catastróficos da Inteligência Artificial.
Ele respondeu:
“Eu realmente acho que as preocupações levantadas por muitos dos especialistas em IA devem ser levadas a sério. Não acho que isso seja fake news, como alguns têm dito.”
“Se me perguntarem se estou em modo de pânico, não estou. Durmo à noite. Mas precisamos nos sentar e conversar. Não podemos ficar de braços cruzados a fingir que nada vai acontecer.”
“Dizer simplesmente ‘isso não vai acontecer’ e fechar os olhos não é a forma mais responsável de lidar com o assunto.”
Por que foi um recado para Trump?
Na semana passada, na Assembleia Geral da ONU, Trump disse que os temores de que a IA possa destruir a humanidade são uma “farsa” (hoax) e que tentativas de regular são uma conspiração de opositores políticos.
O Papa também criticou diretamente os CEOs de tecnologia:
“Ele [Jensen Huang, CEO da Nvidia] é o mesmo que, no entanto, diz que não devem ser impostos limites nem haver regulamentação governamental.”
Huang tinha dito à CBS News que concorda com Trump que os temores são exagerados. Trump vai se reunir hoje 29/09 na Casa Branca com Huang (Nvidia), Mark Zuckerberg (Meta), Dario Amodei (Anthropic), Greg Brockman (OpenAI), Sundar Pichai (Google) e Elon Musk (SpaceXAI).
Posição do Vaticano:
Leão XIV fez da IA o tema central do seu papado. Em maio, apresentou pessoalmente no Vaticano, ao lado do cofundador da Anthropic Christopher Olah, sua primeira encíclica dedicada à IA e à proteção da humanidade, onde pede regulação robusta e abrandamento do desenvolvimento.
Ele já alertou que a IA pode espalhar desinformação, priorizar conflito e até levar a guerra sem fim, e defende regras globais.
Na França, ele reuniu 800 mil pessoas em missa nos Champs-Élysées e ainda encontrou 150 mil fiéis em Lourdes.
